A intervenção baseada em ABA utiliza princípios da Análise do Comportamento Aplicada para compreender como determinados comportamentos acontecem e quais fatores podem influenciá-los.
Conheça a página da Intervenção ABA na CogniVitta, com informações sobre objetivos, planejamento e formas de acompanhamento.
A sigla ABA vem do inglês Applied Behavior Analysis. A abordagem pode ser utilizada no desenvolvimento de habilidades de comunicação, interação, autonomia, aprendizagem e participação em atividades cotidianas.
Embora seja frequentemente associada ao acompanhamento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, a intervenção ABA não deve ser definida somente pelo diagnóstico. O planejamento precisa considerar as necessidades, habilidades, dificuldades, rotina e contexto de cada pessoa.
Como funciona a intervenção ABA?
O processo geralmente começa com o levantamento de informações sobre a pessoa atendida, os ambientes dos quais participa e as situações que motivaram a procura.
A equipe pode conversar com familiares e responsáveis, observar atividades, analisar habilidades já desenvolvidas e identificar comportamentos que estejam interferindo na aprendizagem, na comunicação, na autonomia ou na qualidade de vida.
O objetivo não é apenas observar o que a pessoa faz, mas compreender em quais situações o comportamento acontece, o que ocorre antes e quais consequências podem contribuir para sua manutenção.
Com base nessas informações, são definidos objetivos de intervenção. Eles devem ser claros, relevantes para o cotidiano e compatíveis com as necessidades da pessoa atendida.
Quais habilidades podem ser trabalhadas?
As habilidades priorizadas dependem da avaliação e não são iguais para todas as pessoas. O plano pode envolver áreas como:
- Comunicação funcional;
- Interação social;
- Participação em brincadeiras e atividades;
- Autonomia nas tarefas cotidianas;
- Organização da rotina;
- Habilidades acadêmicas;
- Atenção e permanência em atividades;
- Expressão de necessidades e preferências;
- Desenvolvimento de estratégias de autorregulação;
- Ampliação da participação familiar, escolar ou social.
A escolha dos objetivos deve considerar aquilo que produz benefícios significativos para a pessoa. Um plano responsável não busca apenas aumentar comportamentos considerados adequados pelos adultos, mas favorecer comunicação, independência, segurança e participação.
Como o plano terapêutico é definido?
O plano terapêutico é construído a partir das informações obtidas durante o processo de avaliação e acompanhamento.
Primeiro, a equipe identifica habilidades presentes, necessidades de apoio e situações que precisam ser compreendidas com maior profundidade. Em seguida, são estabelecidos objetivos e estratégias para o ensino ou fortalecimento dessas habilidades.
Os objetivos devem ser específicos e observáveis. Em vez de utilizar propostas genéricas como “melhorar o comportamento”, o planejamento precisa indicar qual habilidade será trabalhada, em quais situações e como sua evolução será acompanhada.
O plano também pode ser revisto ao longo do processo. Quando uma estratégia não produz os resultados esperados ou quando novas necessidades são identificadas, os procedimentos devem ser analisados e ajustados.
A família participa da intervenção?
A participação da família pode ser importante para compreender a rotina e favorecer o uso das habilidades em situações do cotidiano.
Responsáveis podem compartilhar informações sobre dificuldades, interesses, preferências e mudanças observadas fora das sessões. Também podem receber orientações para apoiar determinadas habilidades em casa, respeitando as possibilidades e os limites da família.
Isso não significa transformar os familiares em terapeutas. A orientação deve oferecer estratégias aplicáveis à rotina sem criar uma sobrecarga ou transferir responsabilidades profissionais aos responsáveis.
Programas de orientação a cuidadores podem contribuir para comunicação, participação em atividades diárias e desenvolvimento de habilidades quando integrados a um acompanhamento adequado. A Organização Mundial da Saúde também mantém iniciativas direcionadas ao desenvolvimento de habilidades de cuidadores de crianças com atrasos ou condições do desenvolvimento.
Qual é a importância de acompanhar os resultados?
O acompanhamento permite verificar se as estratégias estão ajudando a pessoa e se as habilidades trabalhadas aparecem em diferentes situações.
Esse processo pode envolver registros, observações, relatos familiares e reavaliações periódicas dos objetivos. As informações coletadas auxiliam a equipe a decidir se determinada estratégia deve ser mantida, modificada ou substituída.
A evolução não deve ser analisada somente pelo desempenho durante uma sessão. Também é importante observar se a habilidade contribui para a vida cotidiana e se pode ser utilizada com diferentes pessoas e em diferentes ambientes.
ABA é uma intervenção padronizada?
Não deveria ser. Aplicar as mesmas atividades, metas e intensidade de atendimento para todas as pessoas desconsidera diferenças importantes.
Idade, forma de comunicação, características sensoriais, habilidades, interesses, rotina, ambiente familiar e objetivos do acompanhamento precisam fazer parte do planejamento.
Também é necessário respeitar preferências, sinais de desconforto, formas de comunicação e limites individuais. A intervenção não deve buscar eliminar características apenas por serem consideradas diferentes.
Como escolher um acompanhamento?
Antes de iniciar, familiares e responsáveis podem perguntar:
- Como será realizada a avaliação inicial?
- Quais profissionais participarão do processo?
- Como os objetivos serão definidos?
- Como a pessoa atendida e a família participarão das decisões?
- Como os resultados serão acompanhados?
- Com que frequência o plano será revisto?
- Como ocorrerá a comunicação com escola e outros profissionais?
- Quais são a formação e a experiência da equipe?
Respostas claras ajudam a compreender se o atendimento possui planejamento individualizado, acompanhamento profissional e objetivos relacionados às necessidades reais da pessoa.
A intervenção ABA deve ser conduzida com responsabilidade técnica, respeito e participação da pessoa atendida e de sua rede de apoio.





